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Iraque. Patriarca Sako: o caminho a seguir é o perdão e a reconciliação
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Iraque. Patriarca Sako: o caminho a seguir é o perdão e a reconciliação

"A fraternidade e a diversidade são a base humana e moral fundamental para a convivência": o patriarca de Babilônia dos Caldeus, cardeal Louis Raphaël I Sako, está convencido disso, e nesta entrevista ao "L'Osservatore Romano" recorda com alegria e gratidão a viagem do Papa Francisco ao Iraque.


Apenas um mês se passou desde a visita apostólica, feita em um momento histórico particular marcado pela emergência de saúde. Um gesto quase inesperado. O que a presença do Pontífice significou para o senhor e para os cristãos iraquianos?


Eu sabia que o Santo Padre queria visitar o Iraque, mas sinceramente não o esperava neste momento em particular, dada a situação incerta causada pela pandemia. Sua determinação foi uma surpresa.  O Santo Padre tem o carisma de surpreender.  Penso que ele sentiu em seu coração de pastor a necessidade de vir trazer conforto e esperança para os iraquianos que tanto sofreram.  Portanto, fez muito bem. Que alegria sua visita! O Papa impressionou a todos: cristãos e muçulmanos.  O Iraque, durante sua estada, foi um pequeno paraíso, depois de tanto inferno, e esperamos que seja sempre assim!


Em várias ocasiões, o senhor enfatizou a necessidade de um Estado secular que permita a liberdade de culto. O senhor pensa que isso é realizável no Iraque? E quanto tempo ainda será necessário esperar?


Acredito que um regime secular, baseado unicamente na cidadania e não na religião, é a solução. Os países do Oriente Médio não terão futuro sem a separação entre religião e Estado. São duas coisas diferentes. Num estado secular, você pode ser muçulmano ou cristão, pode ir à mesquita ou à igreja, jejuar e administrar sua vida de acordo com suas convicções, e o Estado não tem o direito de impedi-lo... nem pode forçá-lo a fazer isso. Assim como não pode impedi-lo ou forçá-lo a tornar-se religioso. Não terá sua mão cortada se roubar, e não irá para a cadeia se quebrar seu jejum durante o Ramadã. O Estado não o castigará se você escolher esta ou aquela religião. O Iraque está pronto para ser secular e os jovens estão se manifestando reivindicando pátria e igualdade. O sectarismo no Iraque foi criado de propósito após a queda do antigo regime.


O que a Igreja caldeia está fazendo para convencer os cristãos a voltar para a pátria após a perseguição do chamado Estado Islâmico?


O retorno dos cristãos é dever do governo iraquiano e isso será possível quando as condições forem favoráveis e a segurança, estabilidade e serviços estiverem garantidos. Os cristãos e outras minorias serão encorajados a retornar à sua terra de origem. A meu ver, este é um projeto de longo prazo.


Em uma mensagem recente, o senhor convidou os iraquianos a virar a página e começar um novo caminho. O senhor acredita que a visita do Papa pode contribuir para uma mudança no país?


Uma certa mentalidade tribal impregnada de vingança e justiça deve mudar. Aquele que perdoa é mais forte do que aquele que se vinga. É preciso perdoar e reconciliar para o bem comum, como fez Nelson Mandela na África do Sul. Uma nova cultura aberta, que respeite a diversidade, é necessária para progredir. O Papa falou da fraternidade humana e também espiritual, é necessário respeitar a diversidade e colaborar para um mundo melhor, com mais paz e dignidade.


O que é necessário para facilitar a coexistência harmoniosa entre as religiões? O senhor está convencido de que muçulmanos e cristãos podem viver juntos apesar das feridas infligidas pelos fundamentalistas?


Nós cristãos temos uma vocação: devemos ajudar os outros a se abrirem, devemos estar prontos, corajosos e não ter medo. Como pastor, repito que a Igreja tem o dever de tornar a fé explícita de uma maneira clara. O diálogo e o respeito são necessários. Unidade não significa uniformidade. O Papa no Iraque falou várias vezes de fraternidade e diversidade. Suas palavras brotadas da fé e de seu coração com simplicidade e espontaneidade mudaram a mentalidade do povo. Agora há um grande respeito, mas os líderes políticos também devem mudar.


Quão decisivo pode ser o apoio dos católicos e da comunidade internacional no estabelecimento de um clima de paz e serenidade?


O Papa Francisco delineou uma carta magna durante seus encontros e com suas palavras, e agora cabe a nós colocá-la em prática. O governo iraquiano constituiu um comitê imediatamente após a visita apostólica, assim como a Igreja caldeia. Temos confiança e esperança.


Como é possível fortalecer a fraternidade em um país atormentado por confrontos armados e violências?


Nós cristãos formados com o perdão temos um papel capital: perdoar, precisamente. Reconciliar-se e construir a confiança são temas essenciais para a coexistência política. O povo simples está pronto para mudar, mas repito que o grande obstáculo são os políticos que tentam cuidar de seus próprios interesses, como reiterou também o aiatolá Al-Sistani durante o encontro com Francisco.


O que a Igreja no Iraque irá fazer concretamente no futuro próximo?


Trabalharemos sobre quatro objetivos: estabelecer programas educacionais e didáticos de modo a fortalecer a fraternidade entre iraquianos e sua unidade nacional; organizar eventos para conscientizar os iraquianos de sua diversidade através de seminários, conferências e programas de televisão dedicados às civilizações, culturas e religiões, a fim de mostrar os pontos em comum, aprofundando-os e respeitando suas particularidades, pois o que nos une é muito mais do que o que nos divide; criar um centro nacional que inclua salas de aula e uma biblioteca especializada nos temas do diálogo inter-religioso; por fim, ativar o código penal iraquiano (n. 111 de 1969) e seus artigos que nos obrigam a proteger os lugares santos e a prevenir ofensas contra as religiões e seus símbolos, punindo os agressores.


Fonte: Vatican News

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