Dia do Camiliano
De São Camilo às terras do Brasil, uma missão que atravessa gerações para transformar dor em esperança.
15.09.2025 - 06:47:00 | 6 minutos de leitura

No dia
15 de setembro, celebramos o Dia do Camiliano, uma data que pulsa gratidão,
memória e compromisso. Não é apenas mais um dia no calendário, mas o marco de
uma história que atravessa oceanos e corações. Em 1922, nesta mesma data, festa
de Nossa Senhora das Dores, dois padres da Ordem dos Ministros dos Enfermos, o
Pe. Inocente Radrizzani e o Pe. Eugênio Dalla Giacoma, chegaram ao Brasil
vindos da Itália e trazendo consigo o
carisma de São Camilo de Lellis e a missão de cuidar da vida na Terra de Santa
Cruz.
Eles
vinham movidos pela fé e pelo ardor da caridade que não conhecia fronteiras. O
destino inicial era a Diocese de Mariana (MG), mas, diante de mudanças
inesperadas, encontraram em São Paulo o novo campo para semear a misericórdia e
o cuidado aos doentes. Era o início de uma missão que, ao longo de décadas,
cresceria como uma grande árvore, oferecendo sombra, conforto e esperança a
milhares de pessoas.
Hoje,
o Dia do Camiliano não celebra apenas a chegada desses primeiros religiosos em
terras brasileiras. Ele celebra todos que, inspirados por São Camilo,
escolheram viver e servir com o “coração nas mãos”: profissionais da saúde,
educadores, agentes pastorais, religiosos, leigos, voluntários e todos os que,
de forma direta ou indireta, assumem a missão camiliana. Unidos, formamos uma
grande família que cuida da vida em sua totalidade – corpo, mente e espírito –
com compaixão, competência e fé.
Ser
camiliano é mais que uma função, é um jeito de olhar para o outro. É ver no
doente o próprio Cristo, como nos ensina São Camilo, e fazer da técnica um
instrumento de amor. É transformar o ambiente hospitalar, a universidade, a escola,
o lar ou a paróquia em espaços onde cada pessoa se sinta acolhida, respeitada e
valorizada.
Ao
longo desses mais de 100 anos no Brasil, nós camilianos expandimos nossa
atuação muito além dos hospitais, chegando juntos a comunidades, universidades,
centros de saúde, obras sociais e paróquias. Em todos esses lugares, o mesmo
princípio permanece: cuidar não apenas da doença, mas da pessoa inteira –
física, emocional, social e espiritualmente.
Hoje
somos uma grande família unida pela missão do cuidar e distribuída por diversos
pontos do Brasil.
Celebrar o Dia do Camiliano é também renovar um compromisso. Em um mundo onde tantas vidas são feridas pelo sofrimento, pela solidão, pelo abandono, pela falta de cuidado e pela exclusão, somos chamados a ser presença viva de esperança. Como dizia São Camilo, “mais coração nas mãos”, um chamado que ecoa hoje com a mesma urgência que ecoou há mais de 400 anos.
Neste
15 de setembro, olhamos para trás com gratidão, reconhecendo os desafios e
conquistas de quem abriu caminho antes de nós. E olhamos para frente com
coragem, certos de que a missão continua. Que cada camiliano - de hábito ou
jaleco, de Bíblia ou estetoscópio – sinta-se parte desta história e perceba que
o seu gesto de cuidado, por menor que pareça, é um elo dessa corrente de amor
que vem de Cristo.
Mensagem do Pe Mateus Locatelli para este Dia do Camiliano
“Em primeiro lugar, cada qual peça a Deus que lhe dê um afeto materno para com o próximo, a fim de poder servi-lo com todo amor, tanto de alma quanto de corpo, pois, com a graça de Deus, desejamos servir todos os doentes com o mesmo carinho que uma extremosa mãe dedica ao seu filho doente” (Escritos de São Camilo, Ordens e modos a seguir nos hospitais ao assitir os doentes, n. 27).
Estimados irmãos e irmãs, religiosos, colaboradores, membros da Família Camiliana Leiga
Com alegria, no dia 15 de setembro celebramos mais um Dia do Leigo Camiliano, de forma especial neste ano em que vivemos dois jubileus: o da Igreja, que nos chama à Esperança que não decepciona, e o Jubileu Camiliano, com o qual a nossa Ordem celebra os 450 anos da conversão de São Camilo.
Há 450 anos Camilo de Lellis era conquistado pela grande Esperança de sua vida: Jesus Cristo. Em 2 de fevereiro de 1575, aos 25 anos, foi golpeado pela graça de Deus tão fortemente que mudou radicalmente a sua vida e, recebendo de Deus tamanho dom, se tornou fundador da Ordem dos Ministros dos Enfermos, nos ensinando a servir a todos com amor e, de forma especial, aos enfermos com o mesmo carinho e dedicação com que uma mãe cuida de seu filho doente. De uma plantinha na Itália, a obra de Camilo estendeu seus grandes galhos e está presente nos 5 Continentes, frutificando no mundo da saúde, da educação e da assistência social.
Como Camilianos, somos herdeiros da espiritualidade e dos valores vividos e ensinados por São Camilo. Ser Camiliano é ser portador da grande esperança de que o nosso próximo é todo aquele que se encontra em nosso caminho e que está necessitado de ajuda. Há alguns meses, refletindo sobre a esperança, o Papa Leão trazia como modelo a figura do Bom Samaritano que, frente ao outro necessitado, o socorre sem pressa e sem medo, diferentemente daqueles que só passaram, viram o outro ferido e ensanguentado, mas fingiram que nada fosse.
Se referindo à figura do Bom Samaritano (cf. Lc 10,25-37), o Papa Leão dizia que "a vida é feita de encontros e, nestes encontros, revelamo-nos pelo que somos. Encontramo-nos diante do outro, perante a sua fragilidade e a sua fraqueza, e podemos decidir o que fazer: cuidar dele ou fingir que nada aconteceu... Com efeito, antes de ser uma questão religiosa, a compaixão é uma questão de humanidade! Antes de sermos crentes, somos chamados a ser humanos!" (Papa Leão, Audiência geral de 28 de maio de 2025).
Celebrando o Dia do Leigo Camiliano somos chamados a fortalecer com alegria nossos valores e ideais, buscando sempre promover encontros de vida: em nossas famílias, no trabalho, nas pastorais e grupos, enfim, onde quer que estejamos sermos presença camiliana samaritana de conforto e de alívio na vida de nossos irmãos, sobretudo dos mais sofredores.
Neste dia, louvamos a Deus pela vida de tantos Camilianos espalhados em nosso País que não medem esforços para serem os fortes braços de São Camilo em nossos dias, numa obra que não é nossa mas do próprio Senhor.
Deus abençõe vocês e as suas famílias!
Pe. Mateus Locatelli
Provincial e Presidente
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