Papa: que a Igreja seja uma casa aberta para quem sofre com ansiedade e depressão

Na intenção de oração para o mês de outubro, Leão XIV pede que a pastoral da saúde mental seja integrada em toda a Igreja, ajudando a combater o estigma e a discriminação e a acompanhar, sem julgamentos, as pessoas que sofrem com ansiedade, depressão e outras doenças mentais. “Faz com que a tua Igreja seja uma casa aberta, um espaço seguro onde todos tenham lugar”, reza o Pontífice.

Notícias da Igreja

01.10.2026 | 4 minutos de leitura

Papa: que a Igreja seja uma casa aberta para quem sofre com ansiedade e depressão

“Rezemos para que a pastoral da saúde mental se integre em toda a Igreja, ajudando a superar o estigma e a discriminação contra as pessoas com doenças mentais.” É a intenção de oração de Leão XIV para o mês de outubro, divulgada pela Rede Mundial de Oração do Papa.

 

Uma intenção que dirige o olhar para uma realidade que atinge mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Segundo os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos mentais estão entre as principais causas de incapacidade, enquanto persistem grandes desigualdades no acesso aos cuidados. O gasto público com saúde mental representa, em média, apenas 2% dos orçamentos destinados à saúde, percentual que permanece inalterado desde 2017.

 

“Feridas silenciosas que, às vezes, ninguém vê”

 

Na oração que acompanha a intenção deste mês, Leão XIV tem nas mãos uma imagem de Santa Dimpna, tradicionalmente invocada como padroeira das pessoas que sofrem com transtornos mentais e daqueles que delas cuidam. Dirigindo-se ao “Deus da vida”, o Papa recorda as “feridas silenciosas que, às vezes, ninguém vê”:

 

“Hoje apresentamos-Te os nossos irmãos e irmãs que enfrentam desafios na sua saúde mental, que sofrem em silêncio a ansiedade, a depressão ou outra doença mental. Tu chamas cada um pelo nome, com ternura, e em Ti encontram dignidade e esperança.”

 

O Pontífice pede também perdão pelas vezes em que a comunidade cristã desviou o olhar, contribuindo para alimentar o estigma e a discriminação contra as pessoas com doenças mentais:

 

“Faz com que a tua Igreja seja uma casa aberta, um espaço seguro onde todos tenham lugar, uma comunidade que acompanha e não exclui, que escuta sem julgar e se aproxima sem medo.”

 

Uma Igreja que acompanha

 

A oração se estende ainda aos profissionais, familiares e voluntários que acompanham as pessoas que sofrem com ansiedade, depressão e outras doenças mentais. Para eles, o Papa pede “força e compaixão para amparar”. Leão XIV invoca, por fim, o Espírito Santo para que o cuidado com a saúde mental seja integrado “na vida e na missão” das comunidades cristãs e de toda a Igreja, tornando-as sinal da misericórdia de Deus “que nunca abandona e sempre restaura”.

 

A intenção de outubro chama a atenção também para a necessidade de uma pastoral capaz de acompanhar sem pretender substituir o trabalho dos profissionais da área. Como recorda o bispo de Phoenix, nos Estados Unidos, dom John Dolan, que em 2022 criou na diocese um Ministério da Saúde Mental, esse serviço não consiste em “diagnosticar, prescrever ou tratar”, mas em caminhar ao lado de quem atravessa momentos difíceis e ajudá-lo a reconhecer a própria dignidade. “Este ministério consiste em amar e acompanhar.”

 

“Não podemos fazer isso sozinhos”

 

O tema da saúde mental já havia sido abordado diretamente pelo Santo Padre durante a viagem apostólica à Espanha. Na Vigília de oração com os jovens, realizada em Barcelona, em 9 de junho, uma jovem compartilhou com o Papa sua experiência com a depressão e uma tentativa de suicídio. Em sua resposta, o Pontífice chamou a atenção para o fato de que a saúde mental está “cada vez mais ameaçada” mesmo em sociedades que se consideram avançadas. Para Leão XIV, trata-se de um sinal de que existe algo profundamente equivocado em uma determinada concepção de progresso que submete as pessoas a pressões, expectativas e tensões capazes de comprometer equilíbrios fundamentais.

 

Diante do sofrimento, da angústia e da solidão, o Papa recordou que Cristo assumiu sobre si a dor da humanidade e revelou o rosto de um Deus que permanece ao lado de quem sofre. Uma presença que recorda também a necessidade de caminhar juntos: “Não podemos fazer isso sozinhos”. É nesse horizonte que a intenção de oração de outubro convida toda a Igreja a transformar a proximidade em compromisso concreto: acolher, escutar e acompanhar, combatendo o estigma e a discriminação para que ninguém que enfrente ansiedade, depressão ou outra doença mental se sinta sozinho ou excluído.

 

Fonte: Vatican News

Fotógrafo: Reprodução de imagem Vatican News